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Adeus, Brasil

No futebol, às vezes, o racional intromete-se entre a razão e o imponderável. É quando o equilíbrio deixa de ser coisa abstrata expressa pelo nosso querer. Quando um jogo é disputado nesse estado, o seu resultado passa a ser consequência da lógica, que estendendo os limites do conceito, adota como sinônimo a razão.

O Brasil jogou sem a razão em Kazan. E a Bélgica tornou mais profunda a ferida aberta pela Alemanha nos 7×1. Acreditando na mídia populista, o time canarinho foi jogar acreditando ser o grande favorito para ganhar a Copa. O que era para ser equilibrado, com a razão dividida, foi desigual.

E os belgas não precisaram fazer nenhuma revolução. Ao contrário, adotando os princípios básicos para ocupar espaços pelo equilíbrio das funções de defender, marcar e atacar, tiveram alguns momentos no primeiro tempo de perfeição.

Era certo que Casemiro faria falta. Era ele o único protetor dos lados e de uma zaga que acreditavam ser segura. Mas não se sabia que Casemiro faria tanta falta. Sem ele, toda a base do jogo do Brasil, que já era frágil por falta de qualidade, desmoronou-se. Se Neymar não jogasse, não faria a falta que fez Casemiro.

Deixando-se atrair, e até com uma certa ingenuidade, para o campo minado pelos belgas, o Brasil escancarou-se. Pelos espaços que abriu, revezavam-se Lukaku, Hazard e o excepcional De Bruyne. A Bélgica foi criando situações. Marcou o primeiro por Fernandinho contra, e imediatamente fez o segundo, que foi a síntese do primeiro tempo: o Brasil sem proteção no meia e na zaga, indo desorganizado para o ataque, deu o contra-ataque para De Bruyne, que provocou aquele que seria a assinatura do seu óbito na Copa.

Tite virou o time do avesso. Fez e desfez. Mudou o esquema de jogo, colocou Douglas Costa, Renato Augusto e Firmino, e viu um time desorganizado e já cansado limitar-se a criar a ilusão do empate com o gol de Renato Augusto.
Bem longe do seu futebol nativo e genuíno, insistiu no grande erro: acreditar que Neymar seria capaz de criar situações geniais, pois só elas poderiam transpor a perfeição defensiva da Bélgica.

Mas Neymar é Neymar. Quando mais se precisa, ele fracassa. Às vezes, no campo, não havia pista sobre o seu paradeiro. Quando aparecia, tinha bola e espaço, mas não tinha decisão. Mostrando ser frágil de personalidade, parecia jogar abalado pela pressão. Saiu da Copa do Mundo pela porta dos fundos.

E, assim, o Brasil volta mais cedo para casa.
Terá quatro anos para tratar da ferida dos 7×1 e curá-la no Catar.

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